quinta-feira, 27 de novembro de 2008

... O segredo de Dona L.

… e enquanto ele passava a mão pelos meus cabelos… pelo meu rosto… pelo meu corpo… como se quisesse guardar na memória cada linha, cada curva do meu corpo, eu ia pensando na felicidade que este homem me estava a proporcionar e até quando ela iria durar…e veio me ao pensamento a conversa que tive com Dona L. ao almoço. Quando era mais nova ela teve um envolvimento com o pai do P., sim com o Sr administrador, pai do homem que estava nos meus braços. Na época ele ainda era um estudante universitário e ela mais velha que ele 5 anos , empregada do avô do P. O avô era italiano imigrou para França para fazer fortuna e conseguiu. Era uma pessoa austera, e muito conservadora o que era de esperar para a época, e não viu com bons olhos o envolvimento daqueles dois, uma simples empregada de escritório não era suficiente para o seu filho e numa tentativa de os separar enviou o filho para Inglaterra acabar os estudos. O que existia entre os dois era muito forte… e mais forte ficou porque foi proibido e sempre que ele vinha a casa nas férias escolares arranjavam maneira de se encontrarem as escondidas, dizia ela que as minhas peripécias amorosas com o P. lhe faziam lembrar o seu passado. Andaram anos às escondidas até que a pressão para ele casar era muita, ele era filho único e era preciso perpetuar o nome da família… ele sugeriu lhe várias vezes fugirem juntos mas ela dizia sempre que não. Ela achava de não tinha o direito de o separar da família, havia uma empresa a gerir, centenas de postos de trabalho a assegurar e ele era o único sucessor. Ele acabou por casar com alguém de quem gostava, mas que nunca chegou a amar. A Dona L. nunca casou, mais nenhum homem lhe interessou, mais nenhum homem conseguiu lhe despertar as mesmas emoções que ele, mas ela não deu hipótese a mais nenhum, o mundo dela limitou se aquela empresa.
Nos primeiros anos de casado, eles evitaram se, mas o que existia entre eles era mais forte e voltaram a envolverem se e ainda continuavam juntos … limitou se a ser a outra quando tinha todo o direito a ser a única….

4 comentários:

VERTIGO disse...

Escolhas sempre são feitas, se são boas ou não só saberemos com o futuro ou pelo menos podemos analisar se valeu apena ou não.

Beijos!!

f.a disse...

Realmente...fiquei sem palavras!
Bem...que historia...romantica.As vezes é preferivel mesmo ser a outra!A vida toma rumos que não percebemos,mas tudo tem o seu significado!

Pekenina disse...

Belo toque de romantismo que aqui deste. Não admira que a dona L. compreenda tão bem o que se passa com aqueles dois :)
Beijinho

Bento disse...

Bem ..e eu venho fazer "outro" comentário para agradecer a visita de uma pessoa que tem uma escrita "única", intensa, quente e, essa sim, com ritmos que se quebram..."comme la petit mort"...